Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, aumentou, nesta quarta-feira, 17, a taxa básica de juros da economia brasileira, passando a Selic de 2% para 2,75% ao ano pela primeira vez em quase seis anos. A mudança veio acima do 0,5 pontos percentuais esperado por uma parcela de analistas. O último aumento ocorreu em julho de 2015, quando o índice passou de 13,75% para 14,25%, e desde então os juros seguiram uma política de sucessivos cortes e congelamentos. A Selic chegou a 2% ao ano, o patamar mais baixo da história, agosto de 2020, dando fim as quedas graduais iniciado em julho de 2019, com a redução de 6,5% para 6% ao ano. O consenso entre analistas é que a Selic seguirá uma politica de alta nos próximos encontros do Copom e encerre 2021 a 4,5% ao ano, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 15.

Já haviam se passado quatro reuniões do comitê onde a Selic se mantia congelada em 2% ao ano, seguindo a foward guidance, tão chamada prescrição futura, como foi batizada a política de juros baixo para o aquecimento da atividade econômica. A mudança foi feita na primeira reunião do colegiado em 2021, em janeiro, mas com o recado de que a queda não significava a subida imediata dos juros no encontro desta quarta-feira. O aumento da Selic ocorre em meio ao avanço da inflação, pressionada principalmente pelo encarecimento dos combustíveis e pela alta do dólar. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi a 5,2% nos últimos 12 meses encerrados em fevereiro e encostou no teto da meta de 5,25% perseguida pelo Banco Central, com centro de 3,75% e mínimo de 2,75%. O aumento do IPCA a partir do último trimestre de 2020 era visto como choque temporário e localizado, porém, as constantes escaladas levou alguns analistas a preverem o índice a 4,6% ao fim de 2021.

A decisão do aumento de 0,75 pontos percentuais foi unanime entre os membros do colegiado. Em nota, o Copom afirma que o atual cenário econômico não exige políticas de estímulos, como a manutenção dos juros ao nível mais baixo da história, e que a recente elevação dos combustíveis justifica a mudança. “Apesar da pressão inflacionária de curto prazo se revelar mais forte e persistente que o esperado, o Comitê mantém o diagnóstico de que os choques atuais são temporários, mas segue atento à sua evolução”, afirmaram. “Os membros do Copom consideram que o cenário atual já não prescreve um grau de estímulo extraordinário. O PIB encerrou 2020 com crescimento forte na margem, recuperando a maior parte da queda observada no primeiro semestre, e as expectativas de inflação passaram a se situar acima da meta no horizonte relevante de política monetária. Adicionalmente, houve elevação das projeções de inflação para níveis próximos ao limite superior da meta em 2021.”

O Copom ainda aponta o aumento como o início de um processo de normalização parcial, indicando que no próximo encontro, marcado para os dias 4 e 5 de maio, deve ser feito novo aumento na casa de 0,75 ponto percentual. “Para a próxima reunião, a menos de uma mudança significativa nas projeções de inflação ou no balanço de riscos, o Comitê antevê a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário com outro ajuste da mesma magnitude. O Copom ressalta que essa visão para a próxima reunião continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, e das projeções e expectativas de inflação.”

Por PeopleGo